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Representantes religiosos de todo o mundo comprometem-se a promover o desenvolvimento ético da IA

Representantes religiosos de todo o mundo assinaram o documento "Rome Call for AI ethics" em Hiroshima, a 10 de julho, com o objetivo de promover um desenvolvimento tecnológico que não perca de vista a dignidade do ser humano.

Paloma López Campos-10 de julho de 2024-Tempo de leitura: 2 acta
Roma apela a uma empresa de ética da IA

Participantes na assinatura do "Apelo de Roma à Ética da IA" em Hiroshima, a 10 de julho de 2024 (Foto CNS / Cortesia da Sala de Imprensa da Santa Sé)

Nos dias 9 e 10 de julho, representantes de religiões de todo o mundo reuniram-se no HiroshimaJapão, num evento que visa promover um compromisso genuíno na procura da paz através da assinatura do documento "Rome Call for AI Ethics".

O evento foi iniciado pela Academia Pontifícia para a Vida, Religiões para a Paz Japão, Fórum para a Paz dos Emirados Árabes Unidos e Comissão para as Relações Inter-Religiosas do Rabinato Chefe de Israel. Ao assinarem o documento, pessoas influentes de todo o mundo e de vários domínios comprometem-se a fomentar o sentido de responsabilidade no desenvolvimento da Inteligência Artificial.

Durante o primeiro dia do evento, os participantes ouviram apresentações não só sobre a ética da utilização da Inteligência Artificial, mas também sobre os desenvolvimentos científicos, tecnológicos e legislativos. Entre os oradores das sessões encontravam-se Brad Smith, Diretor Executivo da Microsoft, e Amandeep Singh Gill, enviado do Secretário-Geral das Nações Unidas para a tecnologia.

Cooperação inter-religiosa

Por outro lado, no dia 10, teve lugar a assinatura do documento. O Presidente da Academia Pontifícia para a Vida, D. Paglia, sublinhou a importância deste acontecimento, afirmando que "todas as religiões são chamadas a trabalhar em conjunto para o bem da humanidade". 

Yoshiharu Tomatsu, secretário das Religiões para a Paz no Japão, afirmou que os desafios que surgem com o desenvolvimento da Inteligência Artificial estão a levá-los a comprometerem-se a "promover a inclusão e o respeito mútuo para todos".

Por seu lado, o xeique Abdallah Bin Bayyah, presidente do Fórum da Paz dos EAU, sublinhou que "a cooperação, a solidariedade e o trabalho em conjunto são necessários para lidar com os desenvolvimentos da Inteligência Artificial, onde se misturam interesses, perigos e benefícios, para garantir que os sistemas e os produtos não são apenas avançados, mas também moralmente correctos".

O representante da Comissão para as Relações Inter-Religiosas do Rabinato-Chefe de Israel, Eliezer Simha Weisz, também afirmou que "enquanto pessoas de fé, temos a responsabilidade única de infundir clareza moral e integridade ética na nossa busca pela Inteligência Artificial".

"Rome Call for AI Ethics", um compromisso proactivo

O Papa Francisco, que não esteve presente na assinatura, quis enviar uma breve mensagem mensagem a todos os participantes no evento. Como chefe da Igreja Católica, apelou aos signatários para que "mostrem ao mundo que estamos unidos no apelo a um compromisso pró-ativo para proteger a dignidade humana nesta nova era da máquina".

Além disso, o Pontífice sublinhou a importância de envolver membros de diferentes religiões neste compromisso do "Apelo de Roma". Reconhecer o contributo das riquezas culturais dos povos e das religiões para a regulação da Inteligência Artificial é fundamental para o sucesso do vosso compromisso com a sábia gestão da inovação tecnológica", afirmou.

Os representantes que estiveram presentes neste evento em Hiroshima juntam-se a outras grandes personalidades que já assinaram o documento promovido pelo Vaticano. A Igreja Anglicana, a IBM e a Universidade Sapienza são outras entidades de renome que também se comprometeram a desenvolver a Inteligência Artificial sem perder de vista a ética baseada na dignidade do ser humano.

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