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A viagem profunda do Papa Francisco

César Mauricio Velásquez-24 de Agosto de 2017-Tempo de leitura: 2 acta

"Continua. Não vos deixeis roubar a alegria e a esperança". Esta foi a primeira mensagem do Papa Francisco aquando da sua chegada à Colômbia. O ex-embaixador César Mauricio Velásquez analisou esta viagem em Palabra na edição de Julho-Agosto.

O Papa Francisco regressa à América Latina. Desta vez visita quatro cidades na Colômbia onde a grandeza e bondade do continente, mas também os seus graves problemas e desafios, são vividos e reflectidos.

Um continente de contrastes: rico em recursos naturais e espirituais, mas ao mesmo tempo com elevadas taxas de pobreza, criminalidade e exclusão. Uma região cheia de juventude mas ameaçada pela droga, desemprego e novos populismos baratos que se degradaram em ditaduras do século XXI, cheia de ideologia, sangue e corrupção em nome do povo.

O Papa Francisco encontrará uma Colômbia que procura a paz, mas não a qualquer preço, não simplesmente com decretos e papéis, como foi imposto. A sua mensagem terá de levantar pontos de unidade, respeito pelas instituições e compromisso com a doutrina social da Igreja e assim responder aos problemas de desigualdade, violência e corrupção. Será uma viagem ao coração dos problemas gerados pela droga e pela criminalidade. Actualmente, enquanto o chamado acordo de paz entre as FARC e o governo está a ser implementado, o cultivo de coca está a aumentar, de 40.000 hectares em 2010 para 180.000 hectares. Um claro revés agravado por outros pontos desta negociação que abre a porta ao branqueamento de biliões de dólares de traficantes de droga e guerrilheiros, sem muita justiça ou verdade. Esta é uma das razões pelas quais, entre outras, o No vote ganho no plebiscito de 2 de Outubro de 2016 e por que foi subsequentemente processado sem legitimidade perante o Congresso e sem apoio popular.

Tal como os seus predecessores - São João Paulo II em 1986 e o Beato Paulo VI em 1968 - o Papa Francisco condenará a chamada "cultura da morte", essa tendência e avidez de uns para serem deuses, a fim de acabar com a vida de outros, não só com armas e bombas, mas também com o aborto, a eutanásia e a corrupção que rouba o bem comum. Neste sentido, a sua voz encorajará a mudança pessoal segundo Cristo, o único modelo capaz de responder a toda a existência, porque não existe um cristianismo de "baixo custo", como lhe chamou Francisco, reflectindo sobre a mediocridade do cristianismo de trincheira, incapaz de participar nas transformações pessoais e sociais. Serão quatro dias de reflexão, uma visita que ajudará a refrescar a vida espiritual de milhões de colombianos e a recordar-lhes que a paz interior é indispensável para alcançar a paz exterior, porque a reconciliação autêntica requer verdade e justiça, terreno sólido para se poder dar o primeiro passo.

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