Vaticano

O costume da Natividade, impregnado de espiritualidade popular

A 3 de Dezembro de 2022, na Praça de São Pedro, terá lugar a tradicional inauguração do Presépio e a iluminação da árvore de Natal. Há três anos atrás, em Greccio, o Papa Francisco assinou a carta apostólica Admirabile signum sobre o valor e significado do Presépio.

Antonino Piccione-2 de Dezembro de 2022-Tempo de leitura: 4 acta
Belém do Vaticano

A tradicional inauguração do Presépio e a iluminação da árvore de Natal terá lugar na Praça de São Pedro no sábado 3 de Dezembro às 17:00 horas. A cerimónia será presidida pelo Cardeal Fernando Vérgez AlzagaRaffaella Petrini, Presidente do Governador do Estado da Cidade do Vaticano, na presença da Irmã Raffaella Petrini, Secretária-Geral do mesmo Governador. Pela manhã, as delegações de Sutrio, Rosello e Guatemala serão recebidas em audiência pelo Papa Francisco para a apresentação oficial dos presentes. Detalhes no artigo de María José Atienza.

Para fazer o presépio, o Papa Francisco escreve na sua carta apostólica Admirabile signum (assinado em Greccio há três anos, a 1 de Dezembro de 2019), "aprende-se quando se é criança: quando o pai e a mãe, juntamente com os avós, transmitem este alegre costume, que contém em si uma rica espiritualidade popular".

A maravilha e a emoção fluem do berço porque "o dom da vida, já sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais quando vemos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o suporte de toda a vida". [...] Muitas vezes crianças - mas também adultos! - muitas vezes gostam de acrescentar outras figuras ao presépio que não parecem ter qualquer ligação com as histórias do Evangelho. Contudo, esta imaginação pretende expressar que neste novo mundo inaugurado por Jesus, há lugar para tudo o que é humano e para cada criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das mulheres carregando jarras de água às crianças brincando...: tudo isto representa a santidade quotidiana, a alegria de fazer as coisas quotidianas de uma forma extraordinária, quando Jesus partilha connosco a sua vida divina".

Como sempre, o Santo Padre salientou, "Deus é desconcertante, é imprevisível, está continuamente fora dos nossos esquemas". Assim, o presépio, enquanto nos mostra Deus ao entrar no mundo, provoca-nos a pensar na nossa vida como parte da de Deus; convida-nos a tornarmo-nos seus discípulos se quisermos alcançar o sentido último da vida".

Em frente do presépio, escreve o Papa, "a mente volta-se de bom grado para quando se era criança e aguarda-se com expectativa o momento em que se começa a construí-la. Estas memórias induzem-nos a estar cada vez mais conscientes do grande dom que a transmissão da fé nos deu; e ao mesmo tempo fazem-nos sentir o dever e a alegria de partilhar a mesma experiência com os nossos filhos e netos.

Por esta razão, conclui Francisco, "o presépio faz parte do processo suave e exigente de transmitir a fé. Desde a infância e depois em todas as idades da vida, educa-nos para contemplar Jesus, para sentir o amor de Deus por nós, para sentir e acreditar que Deus está connosco e nós estamos com Ele, todas as crianças e irmãos graças ao Menino Filho de Deus e à Virgem Maria. E sentir que é aqui que reside a felicidade.

A bênção das imagens do Menino Jesus

Foi o Papa Paulo VI, durante o Angelus de 21 de Dezembro de 1969, que deu pela primeira vez a bênção às estatuetas do Menino Jesus e aos presépios.

Desde então, todos os domingos antes do Natal, durante o Angelus, a multidão reunida em São Pedro aguarda e invoca essa bênção. "Porque o presépio", disse Montini, "revive a memória do grande acontecimento, o nascimento de Jesus, o Salvador, o Filho de Deus feito homem; e depois porque o presépio representa com simplicidade franca e ingénua a imagem de Belém; e torna-se uma cena evangélica, torna-se uma lição de espírito cristão, uma mensagem de costume". E depois porque o berço aquece, "como um lar de amor bom e puro, e sente-se um pouco iluminado sobre todos os problemas desta nossa misteriosa aventura, que é a nossa vida no tempo, na terra".

Finalmente, uma menção a um dos lugares mais visitados em Roma no Natal: a sua construção começou em 1972 com a ideia do operador ecológico Giuseppe Ianni.

Durante 40 anos, a Ama (a empresa responsável pelo saneamento urbano na capital) colocou à disposição do público um antigo depósito para a reprodução fiel do Belém de há mais de 2.000 anos, que se torna cada vez maior a cada ano. Personalidades institucionais e religiosas, chefes de estado, papas e milhares de crentes visitaram e prestaram homenagem à Belém das lixeiras.

Ao longo dos anos, cresceu consideravelmente graças aos presentes recebidos de todo o mundo: tais como as mais de 2.000 pedras, 350 das quais vêm de vários cantos do globo, cada uma com a sua própria etiqueta.

Com várias cenas da vida quotidiana da época e inúmeras referências bíblicas: os pequenos sacos de lentilhas recordam Esaú, que abdicou do seu direito de nascimento por um prato de lentilhas; a fonte de água recorda Moisés, que com o seu cajado golpeou a rocha de onde corria água em abundância para os israelitas; o saco de carvão é uma referência ao profeta Isaías e depois o sinal sempre presente do pão para representar a Eucaristia. É Jesus que se torna pão para todos nós. 

O Papa João Paulo II, durante muitos anos, visitou o Presépio dos Colectores do Lixo. No Natal de 1985, disse: "Sou peregrino em diferentes partes do mundo, em diferentes países, mesmo aqui em Itália, em diferentes regiões, e em Roma, em diferentes paróquias. Mas entre todas estas peregrinações, há também aquela que é sistemática e se repete todos os anos, que começou em 1979, esta peregrinação aqui, na casa onde os limpadores em Roma encontraram uma ideia, um presépio. Fui convidado da primeira vez, e depois venho mesmo sem ser convidado, venho todos os anos. Não seria verdade dizer não convidado, porque sou sempre convidado, mas mesmo sem um convite eu faria esta visita. É por isso que, com esta peregrinação, quero encontrar-me num ambiente muito próximo daquele em que Jesus nasceu.

O autorAntonino Piccione

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