Cultura

Javier ViverSe a arte não gera comunhão, será qualquer outra coisa, mas não a arte".

O fotógrafo e escultor Javier Viver, o autor do livro Mãe de Hakuna, ou o Bella Pastoraé uma das principais figuras da arte sacra contemporânea em Espanha. De 25 de Julho a 30 de Julho, ele dirigirá o Observatório do Invisívelno qual uma centena de estudantes e profissionais de diferentes disciplinas artísticas partilham experiências e reflexões criativas no âmbito do Mosteiro de Guadalupe. 

Maria José Atienza-25 de Julho de 2022-Tempo de leitura: 3 acta
javier viver

Foto: Javier Viver ©Lupe de la Vallina

Das suas mãos vieram imagens marianas como a Mãe de Hakuna, a Bella Pastora da Comuna de Iesu, a mulher de Lot ou o Anjo da Guarda que, há já alguns dias, podem ser vistas na Puerta del Ángel de Madrid. Javier Viver é um dos pontos de referência do arte sacra contemporânea em Espanha, mas é também um prolífico autor de obras não religiosas, tanto escultóricas como fotográficas.

O Bella Pastora por Javier Viver

Desde o ano passado tem vindo a promover, através da Fundación Vía, a Observatório do Invisível. Uma escola de verão para estudantes de diferentes disciplinas artísticas que, durante uma semana, mergulham numa experiência de arte e espiritualidade no cenário do Mosteiro de Guadalupe em Cáceres.

Neste contexto, Viver aponta nesta entrevista com Omnes o que ele vê como o papel do artista na sociedade actual: "oferecer uma lasca de esperança, um pedaço do paraíso, à sociedade".

A primeira experiência do Observatório do Invisível foi um sucesso, o que levou à expansão e continuação do convite à apresentação de candidaturas. O que define esta escola de Verão?

- A possibilidade de partilhar a criação artística com uma grande diversidade de artistas de todas as disciplinas e idades. Mais de 100 participantes, incluindo artistas e estudantes. 

Porque escolheu o cenário do Mosteiro de Guadalupe?

- O Mosteiro é um centro histórico de espiritualidade e de criação artística da primeira ordem. Com obras-primas de Zurbarán, El Greco e Goya.

Falando do invisível, essa arte é o caminho para a materialização do espírito 

Pode haver arte inanimada?

- Não, a arte está à espera de uma alma para a interpretar, para a reactivar. 

O artista cria para si próprio ou para o espectador?

- Do meu ponto de vista, cria para um espectador, para um leitor. A arte como um fenómeno cultural só faz sentido para uma sociedade. Se não gerar comunicação, comunhão, será qualquer outra coisa, mas não arte.

As obras mais importantes são aquelas que ligam e despertam a contemplação de outras almas, da sua geração e das que estão por vir. Neste sentido, a sua projecção é intemporal, o seu público universal e ilimitado. A arte a longo prazo é o melhor investimento. 

Entre as suas obras com temas religiosos mais conhecidos estão as imagens marianas da Bella Pastora ou da Mãe de Hakuna. Como imagina a Virgem?

- A Virgem Maria é a Igreja nascente, a donzela de Nazaré que iniciou esta emocionante aventura a que chamamos Igreja. Primeiro foi a Igreja doméstica de Nazaré, depois a Igreja hierárquica. Ela é a tradição viva da Igreja, transformada em histórias domésticas que mais tarde contaria aos discípulos de Jesus e que eles escreveram nos evangelhos e noutros escritos. Além disso, Maria é a iniciadora do Caminho da Arte, via pulchritudinis.

Como as grandes mulheres da história, ela foi a grande narradora doméstica da história da salvação e a grande tecedeira. Ela era a mãe de Jesus e tornou-se a mãe dos discípulos de Jesus. 

A arte foi identificada, talvez romanticamente, com pessoas de fora, loucos ou visionários... Existe alguma verdade nesta identificação?

- A arte está sempre no limite, naquela região onde o mistério aparece, aquilo que não é visto, aquilo que não é compreendido, aquilo que rompe com o politicamente correcto.  

Numa sociedade que está dividida entre a ruptura contínua e novos moldes, qual é o papel do artista?

- O de tornar tudo novo e tudo velho. O de oferecer uma réstia de esperança à sua sociedade, um pedaço de paraíso, o de tornar visível o invisível. 

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