O ovo frito e a santidade

28 de Maio de 2018-Tempo de leitura: 2 acta

Ancoras de santidade entre panelas e fogões. Com Gaudete et ExsultatePapa Francisco, somos todos chamados a cozinhar o nosso ovo frito extraordinariamente bem, o que se torna assim uma verdadeira metáfora da santidade.

MAURO LEONARDI - Sacerdote e escritor
@mauroleonardi3

Com Gaudete et ExsultateA igreja no hospital de campo torna-se a cozinha do MasterChef. Somos todos chamados a ser cozinheiros de cinco estrelas. Somos todos chamados a cozinhar o nosso ovo extraordinariamente bem, o mais difícil dos pratos fáceis, aquele que revela se realmente se tem os ingredientes de um cozinheiro ou se se é apenas um amador.

O ovo frito é a verdadeira metáfora da santidade. "Uma mulher vai ao mercado para fazer as suas compras, conhece um vizinho e começa a falar, e as críticas surgem. Mas esta mulher diz dentro de siNão, não vou falar mal de ninguém". Este é um passo em direcção à santidade. Depois, em casa, o seu filho pede-lhe para falar das suas fantasias e, mesmo que ela esteja cansada, senta-se ao seu lado e ouve com paciência e afecto. Esta é outra oferta que santificaa" (Gaudete et Exsultate, n. 16).

Muitos santos tinham-no dito, um concílio tinha-o proclamado, agora Francisco coloca-lhe o selo definitivo: a santidade abandona a sacristia e deixa cair âncora entre panelas e panelas. A santidade, como cozinhar bem, é uma experiência simples e profunda, em que pequenas coisas são tratadas com cuidado, não por dinheiro, mas por amor. Houve uma época em que os estudiosos eram os filósofos, hoje são os cozinheiros: é por isso que vemos tantas personalidades da televisão que já não estão atrás das secretárias, mas na cozinha.

Há algum tempo, um deles, não me lembro quem, disse na televisão que aqueles que cozinham bem devolvem às pessoas o tempo perdido, o tempo perdido durante o dia. Muito diferente de Marcel Proust. Quem cozinha não faz nada sozinho: precisa da loja, aquele que cresce, aquele que prepara a receita, aquele que prepara a mesa e depois serve.

Como Jesus dá testemunho do Pai, fazendo tudo o que o Pai quer, assim também o cozinheiro cria um prato que dá testemunho do trabalho de muitos. O santo sabe que ele próprio não é bom, mas que é uma testemunha da bondade de Deus na sua vida. E fá-lo com as suas mãos, com os olhos e com a boca. Com a sua boca, sim, feita para "ad-orar"a Deus". O que significa "para pôr Deus na sua boca".

O autorMauro Leonardi

Sacerdote e escritor.

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