Caro Equis

9 de Maio de 2018-Tempo de leitura: 2 acta

O autor reflecte sobre a posição de algumas pessoas no mundo digital. Sobre como estes utilizadores estão "presos" a uma única forma de pensar e não querem reflectir sobre outras formas de ver o mundo.

Álvaro Sánchez León - Jornalista
@asanleo

Caro amigo, não se ultrapassa as capas dos livros:

Fico contente por ter notícias suas de vez em quando, mesmo que volte com a espingarda da sua surdez carregada. Como está? Ainda se sente tão confortável no passado entre saudades e desejos que torcem os seus gestos em cinzento? Atreva-se a descobrir a beleza dos nossos tempos, a andar nas mesmas ruas que todos os outros, a curar-se dessa alergia à realidade e desse medo de futuros que não são como os seus manuais escolares dizem ser.

Lembro-me frequentemente de si quando leio os comentários na imprensa digital. Imagino-o disfarçado atrás de um pseudónimo a verter gasolina.

Sabe, há um mundo tão excitante fora dos seus esquemas que lamento que esteja a perdê-lo. Afinal, somos amigos e prefiro não ter amigos amargos sobre a impossibilidade de salvar o planeta de todos os males contra os quais o seu armário de medicamentos está a lutar. Sabem para onde vou e eu sei de onde vêm.

Por vezes pergunto-me se os marcos precedentes na sua biografia foram tão restritivos ou se não os compreendeu correctamente. Falaremos sobre o assunto por causa das bebidas, se não se importar de colocar um gin tónico entre as nossas formas de pensar.

Ainda vê tudo o que é novo como uma provocação? Ainda tem esta obsessão de ler apenas pessoas que pensam como você? Talvez o seu mundo seja mais Matrix do que pensa quando olha pela janela entre as persianas do seu pessimismo maduro e desmoralizante.

Ouvi as ironias com que comunica com o mundo. Já pensou em escrever um livro de auto-ajuda para nos tirar a todos do poço deste optimismo adolescente que julga como uma filosofia frívola de escapismo?

Quantas pessoas enviou hoje para a parede? Continua a pilotar o navio com o controlo remoto da sua frágil responsabilidade?

Não o censuro. Eu compreendo-o. É por isso que vos estou a escrever.

Vemo-nos quando quiseres. Um grande abraço e uma Primavera feliz, meu amigo.

O autorOmnes

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